18if – Primeiras impressões

Tema/Gênero: Sobrenatural
Estúdio: Gonzo
Diretor: Akira Nishimori
Origem: Jogo mobile
Nº de episódios: não divulgado

Primeira impressão escrita por Rapha

Sinopse

Um dia, Haruto Tsukishiro acorda em um mundo diferente do real, em um mundo de sonhos. Lá, ele encontra uma misteriosa garota chamada Lily, e um professor chamado de Kanzaki. É dada a Haruto uma missão, de se cuidar das bruxas desse mundo, que são garotas que foram afetadas pela Síndrome da Bela Adormecida, que deixam elas dormindo profundamente, as prendendo no mundo dos sonhos.

Proposta

18if trabalha com casos episódicos, sempre remetendo a “bruxa da semana”, onde contextualizam todo o passado da bruxa e do porquê ela  tem x características que a diferenciam das outras, o que é bom, já que assim temos variedade nos casos e a história não fica massante.

O problema é que a qualidade desses episódios é muito instável, onde podemos ter tanto episódios bem feitos isoladamente, como seu terceiro episódio, como podemos ter episódios horríveis, como o seu primeiro episódio, que deixa um gosto amargo na boca, além de várias inconsistências nas suas próprias regras.

Por exemplo, é dito que quem morre no mundo dos sonhos, morre no mundo real, e o anime nos prova isso com seu segundo episódio, que se trata justamente disso. Mas em seu primeiro episódio, o Kanzaki é devorado vivo, e logo depois ele aparece como se nada tivesse acontecido.

A qualidade desses casos é variada, mas um ponto positivo deles é a sua individualidade para com os problemas das bruxas, que sempre tem todo um contexto abstrato sobre suas habilidades de bruxa. Além do mais, a obra consegue contextualizar as bruxas e suas características de forma que fique interessante de se assistir. E até o momento, é o maior ponto positivo da obra.

Personagens

Os personagens de 18if tem concepções interessantes para se trabalhar, principalmente as bruxas, que criam mundos que remetem a uma característica marcante da vida delas, tendo toda uma questão simbólica para seu mundo e suas habilidades como bruxa. Porém, seus personagens principais são muito inconsistentes, principalmente o Haruto, que é praticamente moldado para o que a história em questão precisa.

Em todos os episódios, ele demonstrou mudanças bruscas de personalidade e comportamento, sendo uma pessoa indiferente em um episódio, cruel em outro, dramático, melancólico, etc… E isso acaba acarretando dele não ser um personagem orgânico, já que essas mudanças acontecem do nada. Lily também sofre desse mesmo mal, mas não de forma tão quebrada como o Haruto, porque ela não tem quase nenhum tempo de tela, ela aparece e age de forma ou muito quieta ou muito alegre, e some sem deixar vestígios.

Por último, temos o Kanzaki, que vem pesquisando como curar sua irmã, que também tem a Síndrome, mas ele é um personagem muito pouco explorado. Não só ele, como tanto Lily quanto Haruto não apresentaram nenhuma informação sobre eles mesmos, deixando tudo muito jogado, e fazendo você assistir apenas pela situação proposta, porque eles não apresentam nada fora inconsistência.

Ritmo

Seu ritmo, como já falado anteriormente, é episódico, e só trabalha uma bruxa por episódio, sendo que esses casos não só variam muito de qualidade, como também contém muitas situações que não são bem inseridas ou exploradas na obra.

Por exemplo, o caso da bruxa do primeiro episódio é mal contextualizado, você percebe que eles recorrem a uma situação forçada apenas para que o espectador seja impactado sem muito esforço, mas a situação foi tão jogada que nem dá pra entender o que aconteceu. Por outro lado, vemos que o animê sabe construir a situação, e por mais que você saiba o final, você ainda fica emocionado, como é o caso do episódio 3, onde passam o episódio inteiro falando de uma coisa previsível sobre uma bruxa, mas na hora do impacto, todo esse trabalho e concepção geram uma boa cena.

Execução técnica

Em quesitos técnicos, 18if peca muito, mas que tenta compensar com algumas ideias interessantes da direção. A sua animação, num geral, é bem pouco fluida, com momentos mal polidos e uma inconsistência quase que gritante. Mas, pra tentar compensar, cada episódio da obra é construído de maneira bem diferente um do outro.

O episódio 2, por exemplo, é totalmente dark, com uma palheta de cores mais pesada, enquanto o episódio 3 ainda é pesado, mas passando um clima melancólico em todo o episódio, com cores mais frias e puxadas pro cinza.

Esses climas diferenciados são bem construídos pela direção, que consegue deixar todas essas cenas minimamente competentes, por mais que o roteiro seja inconsistente demais, e mesmo que a obra acaba por cometer deslizes em seu roteiro, não é difícil ver cenas minimamente decentes por parte de direção, mesmo quando ela utiliza de certos clichês para ajudar a cena fluir.

Sua parte sonora se encaixa da mesma forma que seu roteiro, sendo bem instável, com sons bons e que se encaixam na situação proposta, outros nem tanto.

Conclusão

Concluindo, assistir ou não 18if? Se vocês repararem, todas as características da obra tem uma coisa em comum: instabilidade. O anime não consegue se manter consistente em nenhum ponto, e sua variação acaba por matar ele, porque vão desde pontos interessantes e bacanas para algo quebrado e sem sentido, mesmo em um contexto abstrato. Se estiverem afim de um anime abstrato e com variedade de casos e assuntos, podem até dar uma olhada, mas já adianto que sua instabilidade pode acabar te tirando da obra facilmente.

Gostou? Confira mais no nosso Guia de Temporada!

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  • Gabriel

    Abadonei isso no 1 episodio