Análise Semanal Fate/Apocrypha #4 e #5

Fate/Apocrypha Episódio 4

 

Felizmente, parece que o episódio 4 pode ser considerado um divisor de águas para Fate/Apocrypha, já que meio que a estória está começando a se desenvolver de forma mais linear e com menos “planos”. Começando com um ponto apresentado por Aquiles e Atalanta, em que os seus respectivos mestres se mantém ocultos, deixando a função de repassar os comandos a cargo de Shirou Kotomine. Isso vai ser bem relevante para o decorrer da obra, então fiquem atentos a este ponto.

Observação: o diálogo entre Kotomine e os outros mestres é bem diferente se compararmos o anime e a novel, onde na novel é menos corrido e traz mais conteúdo.

Diálogo entre Aquiles e Atalanta

Quanto a luta do Aquiles contra a Frank e o Sieg, vale notar a redução daquele recurso sonoro espalhafatoso dos últimos episódios, demonstrando como esse recurso é funcional, mas apenas, caso ele seja empregado com cuidado e com o devido contexto. Ainda no Aquiles, vale ressaltar como os diálogos dele são bem “expositivos” e se contrastarmos com os do Gordes, fica bem claro como esse recurso é muito mais funcional no Aquiles, se pegarmos grande parte dos diálogos do Gordes, vamos ver que eles não passam de falas que apenas repetem informações que você já sabe, sendo diálogos(ou em alguns casos monólogos) expositivos no sentido mais puro do termo. Por outro lado, esse recurso é utilizado para que Aquiles demonstre a diversão que ele sente na batalha, como um meio de interagir com o oponente esperando uma sensação recíproca.

Observação: Arqueiros sendo arqueiros na série fate, seria isso uma miragem?

Quanto a fuga do homúnculo, temos um aspecto bem interessante, que é o valor que é dado pelos mestres da facção preta aos selos de comando. Por exemplo, nessa situação o mais comum séria a mestra do Astolfo usar um dos seus selos de comando ordenando que o mesmo retornasse com o homúnculo. No entanto, mesmo com o alto valor(como assim “alto valor”? Calma,explico isso mais pra frente) que deveria ser dado aquele homúnculo, isso não foi feito. A fúria de Darnic quando soube que Gordes havia usado um dos seus selos de comando ressalta esse ponto, ou seja, existe um motivo pelo qual eles são tão receosos em usar os comandos.

Mestra de Rider indo atrás de seu servo

Detalhe interessante para aqueles que “boiaram” na parte da pseudo premonição que a Jeanne fez do conflito entre Astolfo e Sieg. Aquilo é uma habilidade que é utilizada instintivamente em situações aonde algo relacionado a determinado objetivo pode ser afetado por suas ações, como escolher entre o caminho X e Y para chegar até certo lugar, no caso, essa habilidade lhe diria qual caminho que a levaria até o seu destino. O nome dessa habilidade é “revelação”, que é uma expansão da habilidade “instinto”, a diferença é que “instinto”  tem foco em batalhas, como é mostrado em fate/ubw e no zero por meio da Arthoria.

Off-topic: Essa habilidade é diferente da do Emiya Archer, a dele é o Olho da mente, que é bem inferior ao “instinto” por ser algo que precisa ser refinado e evolui mediante a experiência de batalha do indivíduo, já o “instinto” é algo inato do indivíduo. E sim, Mordred tem essa mesma habilidade, mas que funciona de forma diferente, seja pelas suas diferenças inatas ou pelo seu rank ser inferior ao de seu “pai”.

Habilidade da serva Ruler

Agora falando propriamente do homúnculo, porquê ele é tão valioso assim? Bem, aqui cabe uma comparação direta com os Einzbern, a obra deixa bem claro quão fracos e limitados os homúnculos dos Yggmilenia são, sendo projetados apenas para servir como número nas batalhas. O ponto de destaque para esse em especial é a capacidade de pensar e ter uma personalidade própria, coisa que para aqueles homúnculos unidimensionais, criados a partir de fórmulas roubadas era impensável.

Até mesmo para os Einzbern é algo complexo, a própria Iryasviel não detinha a capacidade de raciocinar por si só e foi a primeira que poderia ser comparada com um ser humano, sendo algo desenvolvido devido ao nascimento de Ilya, ou seja, a chance de isso ocorrer com um homúnculo que nem ao menos foi projetado para isso, é algo de níveis estratosféricos, por isso o espanto de Gordes foi tão grande e as reflexões do homúnculo são tão constantes.

Homúnculo Sieg

Finalizando o episódio temos a redenção do “menino” Siegfried, aonde ele tem seu momento de realizar um desejo que pode chamar seu, usando a situação com o homúnculo como gatilho para o seu sacrifício, o interessante desse momento foi o uso de elementos históricos vindo do espirito heroico, de forma a afetar a suas ações, apesar disso soar como retórico em Fate, muitos desses pontos haviam sido cortados para acelerar a narrativa e agora ver que a cena foi muito melhor idealizada, com a devida construção de cena, dá uma certa esperança quanto a adaptação.

Observação: Na novel ele tira seus adereços(placas e armadura) e ele faz o homúnculo engolir o coração dele, sendo uma cena bem mais pesada.

Off-Topic: A armadura de Fafnir do sieg é um “equipamento” que bloqueia ataques normais até rank B e Fantasmas nobres até B+, ou seja, ele é um verdadeiro tank como citado por Aquiles, se Karna atravessou essa armadura imaginem o nível dele.

Felizmente chegamos na parte onde todos os personagens que haviam sido apresentados previamente se interligam na narrativa e agora parece que ele não vai precisar acelerar e nem cortar nada, ou seja, sem mais diversos “planos” fragmentados em um mesmo episódio e diálogos com conteúdo limitado ou cortado!

Fate/Apocrypha Episódio 5

 

Um episódio mais focado em desenvolvimento de personagens, com uma face mais regrada, mostrando que o ritmo já se estabilizou e parece que o desenvolvimento gradativo já é uma realidade em apocrypha, concluindo alguns conflitos e estabelecendo os próximos.

Primeiramente, temos o “sonho” do Sieg, aonde vemos um dragão, que subentende-se que seja Fafnir, o dragão derrotado pelo herói Siegfried,que visa mostrar que o procedimento de ter o coração do herói dentro de si vai resultar em alguma consequência muito relevante, seja para ele, como é mostrado aqui ou para a guerra do santo graal como é relatado pela Ruler. Quanto ao embate de Ruler e a Facção preta, o próprio Quiron foi bem contundente ao dizer que mesmo todos ali não conseguiriam derrotar a Ruler, além dos pontos que ele citou, como o fantasma nobre e os selos de comando que ela carrega, ela ainda tem a habilidade de saber o nome do espirito heroico apenas com um olhar.

Observação: esses selos de comando derivam de uma habilidade em especifico da classe, conhecida como “A resolução de deus”.

Encontro entre o dragão e Sieg

Para quem não entendeu direito como a informação da morte do Siegfried chegou tão rápido até o Shirou Kotomine, isso se deve a ele ser o mediador primário dessa guerra do santo graal, a nível de comparação ele tem(ou deveria ter) o mesmo papel do pai de Kotomine Kirei no Zero. Consequentemente, ele tem a habilidade “Conselho do Espírito que o permite saber a condição dos servos que estão participando na guerra, mesmo que a sua posição tenha sido “deposta” por estar fazendo parte de um lado em especifico, ele ainda pode fazer uso desse artificio.

Já no que tange a relação da Ruler com o homúnculo, a obra mostra a tentativa dela de transmitir a ele o quão importante é a sua vida e o seu instinto de sobrevivência, que para nos seria algo supérfluo, mas que para ele são coisas únicas, como o prazer e a necessidade de se alimentar, o seu senso de individualidade e a criação de sua personalidade, isso é bem ilustrado nas pausas nos diálogos onde ele mesmo se pergunta sobre o termo que ouviu, como “coragem”, “liberdade” e “triste”.

Visando preencher o vazio da sua existência e dar um motivo para ele viver, mesmo ela sabendo que isso não vai ser algo como viver em paz em uma fazenda no interior, mas dentro de um campo de batalha, assim como ela e ainda assim ela se esforça para evitar esse fim da maneira que pode,o dito “final triste”, sendo elementos que agregam muito os diálogos entre esses personagens e dão mais camadas para eles.

Observação: Que trilha sonora linda e polimento de quadros incríveis no momento de reflexão da Jeanne na colina, a trilha sonora com um violino fúnebre denso e pesado, que lembra muito a OST do 5º filme de KNK e um visual com nuvens contrastando com o pôr do sol, com um valor simbólico incrível, nesse momento o diretor acertou em cheio na construção de cena e enquadramento. E sim, uma santa mentiu!

Off-Topic: muitos dos temas citados nessa momento são muito bem trabalhados no 5º filme de Kara no Kyoukai, que apesar do contexto ser de fantoches e não homúnculos, ainda apresentam muito em comum no âmbito da filosofia que abrangem esses questionamentos, ou seja, para uma maior imersão nessa proposta reflexiva, fica a recomendação da obra.

Sieg em sua reflexão

O que? Transformaram o assassino sem escrúpulos Jack the ripper em uma loli? Bem tem algumas explicações sobre o porque não é só fã service e essa concepção é realmente funcional, eu não vou falar para não dar spoilers, já que pode ser que isso eles não cortem e mostrem a narrativa contada na novel da Jack e sua mestra(como flashback talvez), mas realmente não é algo gratuito.

Observação: Notem que a Jack fala “nossa” no plural, ou seja, há mais de um, se atentem a esse aspecto, vai ser bem relevante futuramente.

Diálogo entre Jack e sua mestra

Quanto a Jeanne não ter conseguido materializar seu próprio corpo e ter dependido de uma conexão parecida com a de Possessão, agora as devidas explicações:

“O Grande Graal é capaz de fazer um processo “invocação” específico para rulers, aonde procura-se um indivíduo com uma constituição física, construção espiritual, personalidade e energia mágica compatível. A “possessão” sela a antiga personalidade do alvo e a insere espiritualmente a do Espírito Heroico. Depois de receber a autorização do hospedeiro, ele realiza um “backup da anatomia base” para poder restaurar o alvo a antiga condição,mesmo se o servo for morto. Essa Adaptação física e espiritual, concede as Habilidades de Classe, conhecimento de Espíritos Heroicos e da era moderna, além de inserir outros dados necessários”.

Fiquem tranquilos eu cortei a parte que daria spoilers muito relevantes, apenas pegando os elementos já apresentados, mas que, ainda não foram contextualizados plenamente.

E quanto a cena apresentada no anime, ela acaba sendo um ponto bem interessante, já que na introdução rushada dela isso não ficou tão claro, principalmente no que tange aos conceitos, e ao utilizar a refeição como um gatilho, demonstrou ser uma boa sacada, aliando uma cena com teor mais leve, com desenvolvimento, tanto de personagem como de narrativa. E sobre ela ser uma anomalia, não tem como falar desse ponto sem cair em um spoiler indireto. Portanto, aguardem a obra falar sobre esse ponto.

Sieg e Ruler se alimentando

E quanto ao foco do próximo episódio?Bem, já foi deixado no ar que haverá uma caça a Jack the Ripper por ambas as partes e com aquele pós créditos no minimo instigante(pra mim não, tomei spoiler pesquisando alguns elementos que foram citados acima), já da para traçar uma boa melhora, mas nada realmente extraordinário.

Off-Topic: Se vocês repararem a mensagem recebida por Shishigou foi enviada pelo Lord El-Melloi II, um nome muito relevante na estória e que já apareceu em outras obras, como Fate/zero e no episódio final de Fate/UBW. No entanto, como isso é possível se no mundo desse fate, não existe o fate/zero? As circunstâncias se alteraram um pouco, mas ele ainda conseguiu seu objetivo, vou deixar isso no ar para não estragar a surpresa, mas fiquem de olho nele!

Compartilhar
  • Daniel Brito

    bem esperemos que a qualidade do apocrypha vá subindo com o tempo,mas ainda estou meio pessimista, obrigado pelo review e por explicar coisas que o anime não deixa claro.