Análise Semanal Fate/Apocrypha #6 e #7

Fate/Apocrypha Episódio 6

Noções Gerais

Esse foi um episódio com alguns elementos bem destoantes, isso se deve a sua narrativa ter tomado um tom inicial bem mais denso, mas que é quebrado no decorrer do episódio. E isso se deve muito ao alivio cômico aplicado nas cenas, construindo um contexto mais pesado e logo em seguida quebrando isso de alguma forma. Sendo esse um artifício que me desagrada muito, pois se assemelha aquela velha limitação de comédias românticas em fazer um drama. Em Fate/Apocrypha isso pode ser visto da mesma forma, como uma dificuldade em manter o tom da narrativa, voltando para aquele problema inicial de trabalhar diversos planos e cada um com os seus tons.

Review

O episódio começa com um flashback bem interessante, mostrando uma batalha que para os fãs mais assíduos do “Fateverse” já foi vista diversas vezes, sobe diversos pontos de vista. Mas diferente de outras obras, o foco aqui é Mordred, o que dá uma caracterização bem diferente para a cena(principalmente se colocarmos em pauta a qualidade da animação).  Algumas pessoas podem achar estranho a Arthuria utilizar uma lança, principalmente para aqueles que não conhecem a lenda, ao invés de eu contar tudo isso, vou deixar apenas a versão de fate por aqui.

Embate entre Mordred e Arthuria

Observação: Percebam a diferença do character design entre as Arthorias, em comparação o design similar da lança.

Quanto a aparição da Morgana, vale ressaltar um ponto em especial que é o seu character design, para muitos conhecedores das lendas arthurianas é quase um consenso de que o cabelo dela era preto, com algumas dessas narrativas colocando certo foco nesse elemento. Porém, em Fate/Apocrypha ela aparece com o cabelo loiro, essa mudança tem alguma base? Resumindo, essa mudança se deve a lore da Morgana do universo de fate, onde ela nasceu como filha de Uther e não de Gorlois, dando base para o seu cabelo loiro. Já a Mordred tem aquela aparência por ter sido concebida para ser um clone homúnculo do rei, sendo tratada como filho bastardo, após ter nascida da relação de Arthuria e Morgana. Sim, a Arthuria é pai.

Morgana

Para explicações mais detalhadas recomendo dar uma olhada na postagem do Galahad na página Fate Brasil.

Off-Topic: Para quem ficou interessado nos outros guerreiros da tabula redonda que foram mostrados ao lado da Arthuria, vale o esforço em jogar o Fate/Grand Order, onde um dos capítulos trabalha exatamente Camelot e a tabula redonda. Além disso, o character design utilizado no animê foi o mesmo do Fate/go, então não deve gerar problemas de divergência visual.

Para aqueles que não entenderam direito porque a minha critica tão incisiva no ponto de criar um contexto sério e quebrá-lo com alivio cômico, fica aqui uma cena em que o contexto sério conseguiu corroborar com uma piada, sem necessitar de uma quebra brusca, a cena, no caso, é a que o Sisigou está no telefone e a Mordred está tendo uma incrível batalha contra um gato. O diretor acertou em cheio aqui por manter a cena séria e o primeiro plano estável, enquanto coloca o alivio cômico no plano de fundo, deixando o espectador escolher aonde ele quer prender a sua atenção, enquanto mantem ritmo constante e coerente.

Observação: Adorei a construção midiática da situação, bem como a construção dos diálogos, uma cena rápida e dinâmica, que conta muito em pouco tempo, sendo muito bem orientada.

Mordred brincando com o gato e Sisigou no telefone

 

Agora vamos para o ponto que eu venho batendo continuamente, os mestres do yggmilenia foram transformados em personagens completamente genéricos, onde todos os clichês de battleshounens estão destruindo eles. Começando com a mestra do Astolfo, a cena dela ilustra perfeitamente a minha crítica, uma personagem que não tem nada, a construção dela é nula e as suas cenas são geralmente ligadas a um tom mais excêntrico e com nada além disso. Dando a ideia de sofrer do efeito Sakae Esuno(criador de Mirai Nikki e Big Order), que é “se você não consegue criar personagens descentes ou dar o mínimo de dimensionalidade, tudo que você precisa é torná-los excêntricos, já que se é diferente, logo não é genérico” e com base nisso, colocam ela como uma louca fissurada no Astolfo, porquê sim.

Por outro lado o Darnic só serve para diálogos expositivos, é fácil notar que toda vez que ele aparece a sós com o Vlad é para falar alguma informação, em que na maioria dos casos, ambos já sabem daquilo, mas precisa ser repetido para ser algo do conhecimento do espectador. Dando a ele a única e singela característica de ser o cara dos diálogos expositivos e o líder com segundas intensões em que mostra isso com um sorriso de canto de boca. Até o Roche virou o menino excêntrico e expressivo que gosta de golens…minhas singelas saudades do Roche da Novel.

Assassin e o seu belo fantasma nobre, das interações de servo e mestre de longe a mais interessante é a da Semíramis e a do Shirou, apesar de alguns traços de expositividade, assim como no caso de Aquiles. Isso é respaldado pela personalidade e pela própria história que envolve o espirito heroico, como é o caso da Assassin, toda a caracterização da falas ilustram esse senso de nobreza e superioridade. Vale notar também que o seu fantasma nobre é uma das sete maravilhas do mundo antigo, sendo uma habilidade única e de uma escala bem elevada.

Semíramis e os jardins suspensos de Babilônia

Observação: Essa Ost é realmente muito boa, a ambientação que ela cria é de certa forma heterogênea com o contexto abordado, a figura de santidade em meio ao berço dos pecados que é babilônia. A desigualdade e contraste criado pela musica é louvável.

Quanto a magia que o Sisigou usou no guarda, ela é até certo ponto bem genérica e já foi vista em outras séries, o ponto aqui como funciona aquela magia e o que ela é. Primeiramente, nós temos dois tipos principais de magias de interferência mental, o comando, que foi utilizada nesse caso e a manipulação de memória. A primeira já foi vista no 3º filme de Kara no kyoukai e foi utilizada pela AozakiTouko e a segunda foi utilizada no Fate/zero pelo Waver.

Observação: Essa magia nada tem haver com a sugestão de ciel, a habilidade dela é derivada do seus olhos místicos de “whisper”.

Já no quesito Assassin x Mordred, fica bem claro as vantagens de classe e de habilidades inatas de servos da classe Saber. Além disso, vale destacar a boa construção de cena, já que a Assassin agiu como uma, principalmente no que tange movimentação e coreografia, mantendo bem a ideia de ser uma assassina. Por outro lado, ainda me incomoda muito essa escolha de character design com ela de calcinha, sério, pelo menos utiliza-se a versão da 1º ascensão do Fate/go, que não deixa tudo exposto daquele jeito.

Mordred versus Assassin

Observação: Pelo menos nessa curta sequência de ação a animação melhorou bastante, que se manteve no embate do Mordred com o Quíron, longe de estar perfeita, mas realmente melhorou.

Observação²: Arqueiros também podem saber artes marciais, como o pancrácio do Quíron, para os mais achegados isso é bem costumeiro, a própria Tohsaka Rin se especializou em uma arte marcial para suprir esse seu deficit defensivo e ofensivo.

Off-topic: Esse é um ponto, no minimo cômico, já que foi o mesmo passo tomado pelo seu tão odiado instrutor, o Kirei Kotomine, de assim como ela, aprender uma arte marcial.

Antes de falar do embate entre Sisigou e Fiore, vocês devem estar se perguntando o que diabos era aquela maquinas costas da garota. Bem, como o Sisigou disse, aquilo era derivado de um código místico, que nada mais é que um amplificador de magia. Mas que fique claro, o código místico está na luva de Fiore e não na maquina. A maquina é apenas uma arma que é utilizada como uma armadura de exoesqueleto e que é controlada pelos código místico contido na luva.

Observação: Esse conceito de mystic codes não é algo novo na franquia, temos outros exemplos de magos que se beneficiaram desse artificio, tais como, Kayneth com a sua “Volumen Hydrargyrum”, as joias da Rin, a própria luva de salamandra da Azaka, entre outros.

Agora o embate, eu realmente gostei muito da direção, fez uma introdução boa e dinâmica, que corroborou bem com o espirito passado pela trilha sonora. Mas o que realmente se destacou foi como foi bem exaltado o aspecto “Kiritsugu”, usando de qualquer artifício para vencer, até mesmo atropelar a garota com um carro, isso deu um tom muito mais pesado e que realmente faltava.

Fiora Yggmilenia sendo atacada

Observação: Até que fim um bom cliffhengar! E caramba, eles realmente poliram e detalharam os quadros de transição, as cenas ficaram fluídas e bonitas, custa fazer isso mais constantemente A-1?

Fate/Apocrypha Episódio 7

Noções Gerais

Um episódio de transição que concluiu o bem embate do último episódio . Visando construir novos conflitos com os personagens que estavam em segundo plano, seja por conclusão do objetivo primário(caso da ruler) ou por preparação para algo(caso de Shirou e Sieg). Sendo esse um episódio bem dinâmico, no sentido de, tudo que ele quer contar ser feito de forma rápida, para acelerar toda a parte “burocrática” e ir para ação. Trabalhando com diversos planos e demonstrando que todos eles vão se unir em um determinado ponto, que é a batalha no castelo dos Yggmilenia.

Review

O episódio começa concluindo a luta do ultimo episódio. No quesito construção de cena manteve a ideia do final do episódio anterior, os diálogos se mantiveram bem, nada de especial, exceto um momento que vai ser a base da minha critica a seguir.

Caules, o garoto inocente que parece o Shirou e sua irmã responsável. Apenas a ideia que ele entregou seu nome no campo de batalha e que principalmente, a Fiore se referiu a ele como nii-san, já é o suficiente para dizer que ambos não servem para o proposito da guerra. Sendo bem sincero, esse é aquele tipo de personagem que em narrativas como o Apocrypha, tem que ser punido por sua inocência, assim como o Kariya em Fate/Zero. Diferente da ideia de Fate Stay que propõem um lado muito mais idealizado do que realista, Fate/Apocrypha precisa fazer valer a sua construção narrativa mais madura.

Fiores e Caules

Mas como assim um coração humano serve como poção de cura para servos agora? Bem, essa premissa já é vista em outros Fate, mas não pela concepção de comer corações humanos, sendo algo meio que novo, mas não descontextualizado. Mas a minha indignação é outra, foi terem cortado a cena em que a mestra da Jack é atacada em um beco, que além de ter um excelente diálogo, que dá um certo “inside” sobre o local onde ocorre a guerra, ilustra muito bem o que são “loli the ripper” e a sua mestra. Mas parece que preferem colocar cenas picotadas que agregam quase nada, só para acelerar a estória.

Coração de um mago

Observação: Assassins tem uma certa proficiência como “comedores de alma”, que aumenta os benefícios de se comer corações humanos. Vale notar também que comer almas de pessoas do malignas aumenta ainda mais esses valores.

Off-Topic: Como a Reiko não pode suprir Jack com energia magica por não ser uma maga, acaba sendo necessário recorrer a esse recurso(não que isso não fosse feito mesmo com a capacidade de fornecer mana). Cabe uma comparação interessante com a Saber do Fate/Stay Night, aonde ela também sofre do mesmo problema devido ao seu mestre “fracassado”, deixando bem claro o quão isso é prejudicial para o desempenho do servo.

A sequência do Sieg e o diálogo com o velho, Jeanne procurando Shirou e Shirou dormindo no colo de Semíramis, ilustram toda acessa dinâmica imposta para acelerar as coisas, mesmo em um episódio transitório, que algo que eu sempre venho ressaltando e criticando. No entanto, a transição de planos aqui foi bem funcional, isso se deve a constância de um teor mais sério e sem quebras para alivio cômico, a direção pode não tecer um elevado senso de continuidade, mas pelo menos aprendeu a lidar com tantos planos de forma mais madura.

Quanto ao Shirou e Semíramis. Adorei a construção de cena, o ambiente bucólico em meio a “devaneios” que o deixaram atordoado, corroborando com uma linda OST, que consegue trazer um aspecto muito mais orgânico de evolução da confiança entre ambos os personagens e tudo isso, sem precisar recorrer a fã services ou clichês. É nessa horas que a direção mostra uma maturidade, que como eu já disse, é muito inconstante, são pequenos momentos que saltam a vista, mas dentro de um todo não conseguem fazer tanta diferença.

Semíramis e Shirou em ambiente bucólico

Observação: Revejam o sonho que o Shirou tem, aquilo vai ser bem relevante, se juntar alguns elementos dá pra perceber alguma coisa nas entrelinhas. Eu já falei que adoro essa música tema?

Acho que um dos maiores acertos no quesito dublagem e quebra de teor narrativo é o Shakespeare. A forma como é repassada a informação de que “eu não tenho capacidade de lutar” foi sensacional, usar essa premissa como gatilho para agregarem mais ao personagem, que estava esquecido, foi uma bela sacada. O outro ponto é a dublagem dele, ela traz um senso de identidade que me lembra bastante o Rider de Fate/zero, pela imponência e forma de usar bem as palavras, é uma especie de excêntrico que soa natural.

E meus amigos, que Fantasma Nobre esse da Semíramis, uma gigantesca fortaleza voadora que pode até mesmo servir para atacar. Um detalhe bastante interessante são os “ossos” que caíram da fortaleza. Aquilo nada mais são que vários dentes de dragão, que vão servir como numero, já que são bem fracos. Guardadas as devidas diferenças derivadas das servas que utilizam esse recurso, essa espécie de familiar funciona de forma similar aos dente de dragão da Medea de Fate/Stay Night.

Chuva de Dentes de dragão

Observação: Esses familiares funcionam bem contra adversários como Homúnculos e Golens, são quase que inúteis contra servos, o valor deles está nos seus números. Sendo um recurso “barato” como a Ilya disse.

Como uma cena consegue criar uma ambientação tão boa e uma expectativa tão grande para um próximo episódio? Sem dúvidas o “discurso motivacional” do Vlad foi o ponto alto desse episódio, a forma como ele falou trouxe muito daqueles traços vistos em discurso desse tipo, a escolha de palavras e o seu senso de liderança agregaram muito a essa cena. Mas como nem tudo são flores, porquê diabos quebrar esse incrível clima para mostrar que o Sieg vem pra guerra? Sério, isso quebrou muito a “vibe” do discurso, se isso fosse colocado em um pós credito da vida estaria muito melhor alocado do que se comparado aquele momento.

Vlad Tepes em discurso motivacional

 

Fontes que não constaram no texto:

http://typemoon.wikia.com/wiki/Kairi_Sisigou

http://typemoon.wikia.com/wiki/Fiore_Forvedge_Yggdmillennia

http://typemoon.wikia.com/wiki/Volumen_Hydrargyrum#Volumen_Hydrargyrum

http://typemoon.wikia.com/wiki/Mystic_Code

http://typemoon.wikia.com/wiki/List_of_Magic_Spells

http://typemoon.wikia.com/wiki/Roche_Frain_Yggdmillennia

http://typemoon.wikia.com/wiki/Dragon_Tooth_Warriors

http://typemoon.wikia.com/wiki/Caster_(Fate/stay_night)

http://typemoon.wikia.com/wiki/Assassin_of_Black

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  • ótima review Igor, tá conseguindo segurar seu rage ein rs.

    • Tohno

      juro que estou tentando uhsauhsuhahusuha