Koi to Uso – Primeiras impressões

Tema/Gênero: Drama, Romance, Escolar
Estúdio: LIDENFILMS
Diretor: Seiki Takuno
Origem: Mangá
Nº de episódios: 12

Primeira impressão escrita por Rapha

Sinopse

Em um futuro próximo, o Japão acabou criando uma lei para controlar a taxa de natalidade, decretando que todos os adolescentes, após completar 16 anos, será estipulado um parceiro para casamento, assim as pessoas não precisam mais se preocupar em arranjar um par amoroso, com a ideia de que o governo vai achar alguém compatível para ela. Yukari Nejima é um garoto de quinze anos, que é apaixonado por uma colega de classe, a Misaki Takasaki, que também gosta dele, mas após Yukari completar 16 anos, ele recebe como sua parceira de casamento, uma pessoa que não é a Misaki. Agora Yukari deverá escolher entre aceitar a situação e ficar com seu par designado, ou ficar com quem ele realmente ama e sofrer as consequências por não cumprir com a lei.

Proposta

Koi to Uso contém uma proposta ao menos curiosa, trabalhar o drama de personagens que não podem se aproximar romanticamente por motivos legais (dando até pra fazer uma leve comparação com Romeu e Julieta, nesse ponto), o problema é que essa proposta interessante, por muitas vezes, se torna algo forçado, devido a um roteiro bem instável.

Tomando o primeiro episódio como exemplo, temos uma cena onde o Yukari explica o porquê de estar apaixonado pela Misaki, e o motivo foi que, na infância, ele emprestou metade de uma borracha pra ela, e ele guardou a borracha por 6 anos para se lembrar desse acontecimento, e a Misaki fez também a mesma coisa, e pelo o que o animê indica, esse foi o momento de maior contato deles até o tempo atual da obra, e quando a parceira do Yukari é anunciada, eles se beijam em um clima dramático, com diálogos melosos e estranhos, como quando a Misaki diz: “posso viver 70 anos com a lembrança desse beijo de 30 segundos”, deixando assim a obra com um drama um tanto quanto forçado, e a utilização de estereótipos não ajuda muito, já que as vezes tira alguns diálogos de contexto para uma quebra uma cena clichê incoerente com a situação.

Falando assim, faz parecer que Koi to Uso só erra, mas não é bem assim, já que seus momentos de drama são, num geral, bem feitos, apesar de conterem alguns diálogos estranhos, mas a execução do drama na obra é funcional, acertando bem em aspectos técnicos, principalmente na direção. Tomando, novamente, o episódio 1 como exemplo, a cena final do drama do Yukari e da Misaki, apesar de conter diálogos esquisitos, funcionou muito bem para passar o drama dos personagens.

Personagens

Falando em personagens, eles são deveras interessantes para trabalhar em cima da proposta do anime, porém eles acabam contendo alguns estereótipos desnecessários em cima deles. Não há muito o que falar do Yukari, ele é um personagem tímido, mas que toma algumas atitudes para a história, lembrando muito alguns protagonistas de obras de comédia romântica.

Já os outros 3 personagens principais são mais interessantes, começando com a Misaki, que é uma personagem interessante por trabalhar o lado da mentira do anime (que traduzindo o nome da obra, fica “Amor e Mentiras”), ela demonstrou não ser muito honesta com seus sentimentos, como quando a esposa prometida do Yukari, a Ririna, perguntou para ela o que ela gosta no Yukari, e deu para perceber que, por um momento, ela exitou antes de responder, demonstrando que a resposta dita, possivelmente, não tenha sido a verdade.

Outra personagem, que acabou de ser citada, é a Ririna, que é a esposa arranjada do protagonista. Sua concepção, de início, foi meio sem sal, por demonstrar ela sendo apenas uma garota polida e séria, mas depois ela demonstrou ser mais relevante, por demonstrar interesse no relacionamento do Yukari e da Misaki, pelo motivo de não conhecer uma situação romântica como a dos dois, e quer ver o desenvolvimento do relacionamento deles, ou seja, ela quer ver seu “noivo” com outra garota para entender o amor dos dois.

Mas nem tudo são flores para ela, pois ela é quem mais sofre com os estereótipos de personagens da obra, tomando como base o segundo episódio, onde, em um momento, ela para de se trocar para conversar com o Yukari, enquanto ela está de calcinha na frente dele sem se importar, dando a entender que ela se acostumou com a presença dele (mesmo que eles tenham se conhecido a pouco tempo), mas, de repente, ela percebe que está de sem roupa na frente dele, e bate nele como se fosse uma tsundere.

E são esses momentos desnecessários que atrapalham na construção de personagens, pois eles não rodam bem na premissa de alguns deles, o que corrobora com uma queda na qualidade dos mesmos. O último personagem que se demonstrou interessante é o Nisaka, que é o amigo do Yukari, mas que demonstrou não ser muito amigável com a Misaki, por algum motivo.

Ele é um personagem um pouco mais centrado, e que pode trabalhar algumas questões diferentes em um anime, por ser homossexual, e se isso for trabalhado de forma séria, como parece que vai ser, vai ser algo interessante de se ver.

Ritmo

A obra demonstrou um ritmo constante em seus primeiros episódios, acontecendo algumas coisas relevantes para o desenvolvimento da trama.

O problema é que a obra decide por parar certos desenvolvimentos para o uso de clichês de romance, o que pode indicar que planejam enrolar a história por um tempo, como um genérico de comédia romântica, que diz muito, mas não faz nada. E para um anime que tem uma proposta tão interessante dessas, ele tem mostrado muitas quebras no roteiro para uma piada desconexa com a situação, como por exemplo, a já citada cena da Ririna, de calcinha, conversando com o protagonista, para depois bater nele como se fosse uma tsundere. É um momento onde a construção estava séria, e foi quebrada para um momento desses.

Mas ao mesmo tempo, vemos que existem momentos que são trabalhados no tom certo, sem quebras bruscas, como na cena do final do episódio três, entre o Nisaka e o Yukari, que demonstra que a obra, apesar de ter esses deslizes, ainda consegue manter uma certa qualidade, deixando o espectador com uma certa dúvida de como vão ser trabalhadas todas as questões propostas, ou ao menos a maioria, em míseros 12 episódios. Já que não apenas demonstraram enrolar algumas partes, como também demonstraram muitas ideias interessantes da trama.

Execução técnica

Sua parte técnica demonstrou ser bem competente para a história, até o momento. Sua animação é bem básica, mas consegue ser bem funcional para as cenas, principalmente as de drama, que contém um detalhamento maior nos designs dos personagens, além de ser bem consistente. No quesito de direção a obra acerta muito, sabendo muito bem construir as cenas de drama para deixá-las mais envolventes, e mesmo com os diálogos estranhos, ela demonstrou que consegue se virar muito bem na hora do drama.

E até os momentos de comédia romântica demonstraram uma boa direção, mesmo que a cena não fosse nada demais. Outro ponto positivo da direção é saber passar a paixão que um personagem sente pelo outro, onde podemos ver que, mesmo os diálogos não convencendo muito, ele ainda tem seu peso, mérito esse não só da direção, como da dublagem. Vale destacar também os bons momentos de fotografia, principalmente no final do primeiro episódio. No âmbito de trilha sonora, apesar de termos boas músicas, nem sempre elas são bem escolhidas. Temos bons momentos, como o final do primeiro episódio, e momentos como o final do terceiro, que poderiam ter uma trilha sonora um pouco mais presente, ou até mais memorável.

Conclusão

Concluindo, assistir ou não Koi to Uso? O anime demonstrou que sim, ele sabe construir drama, contém uma proposta minimamente instigante e uma parte técnica bem funcional, os problemas são seus diálogos exageradamente melosos e suas quebras para momentos genéricos de comédia romântica, que te fazem sentir que a obra não vai tomar o melhor dos rumos para o seu roteiro, tornando o anime uma certa roleta-russa. Se você estiver disposto a arriscar e aguentar seus problemas, você irá receber um anime de drama curiosa dessa temporada, contendo potencial para ser uma ótima obra ou uma obra genérica desse tipo de gênero.

Gostou? Confira mais no nosso Guia de Temporada!

 

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  • Gabriel

    Eu achei bem bacana,a proposta e interresante,mais tem alguma coisas que realmente são meio forças,mas tirando isso,e bom.